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Enquanto não estiver só é sinal que posso conviver com as pessoas, sinal que elas ainda me suportam… e que ainda não surtei em uma camisa de força.
Sim, ás vezes até acho que uma porcentagem da loucura dos insanos é pela falta de afeto, dos outros ou de si mesmo. Solidão pode deixar qualquer um à beira da loucura, nenhum ser humano, por maior que seja o seu espírito livre ou independente, consegue carregar nas costas sua vida sozinho, é preciso dividi-la com alguém. “Na natureza selvagem” me fez pensar nisso, um homem só é completo se puder dividir sua felicidade.
Nem toda relação é um mar de rosas, sempre vai existir conflitos, e quando estamos sozinhos com quem vamos falar alto, xingar, bater, e depois amar? Até de conflitos sentimos falta.
O homem precisa da intensidade para sobreviver, o intenso que só pode vir de outro corpo humano e de mais nada.
Engoli muito amargo
Provei muitos sonhos e pesadelos
Viajei sem limites, me quebrei, me perdi
Me achei, brinquei de esconde-esconde comigo
Tentei fugir e me encontrei no tempo
na distância, no adeus, no afastamento
Vaguei mais um pouco, tentei afundar
Fui emergida pelo melhor de todos os sabores
Algo que me engole dos pés a cabeça
e preenche o vazio, que tentava tapar com a peneira
Naturalmente veio me fazer voltar a respirar
Se eu pudesse encontrar uma palavra para definir
seria limitar e rotular esse amar sem tamanho
Perco o sono, morro na vontade e na saudade
Mas perto de tudo, isso se torna pequeno
A despedida virou rotina, mas prefiro assim ao não tê-la
Guardei o melhor de mim sem nunca saber que existia
Esperei sem saber que esse dia chegaria
Sentia que nunca mais provaria esse gosto
Que jamais me entregaria a outro corpo
Engano meu
Meu corpo sem o seu agora pra mim, não existiria

